O que aplicar no intervalo entre A6 e A7 do RAVLT?

Um detalhe da aplicação que pode interferir no resultado da avaliação neuropsicológica.

Introdução

Imagine a seguinte situação no consultório.

Você está conduzindo uma avaliação neuropsicológica e acaba de aplicar uma etapa do RAVLT. Nesse momento, o procedimento exige que você aguarde cerca de alguns bons minutos antes de seguir para a próxima parte do instrumento.

Esse intervalo entre A6 e A7 do RAVLT costuma gerar dúvidas importantes na prática clínica.

E surge uma pergunta que quase todo neuropsicólogo já se fez em algum momento da carreira:

O que eu faço nesse intervalo?

Esse pode parecer um detalhe pequeno da aplicação, mas a verdade é que a escolha do que fazer nesses minutos pode interferir diretamente na qualidade do resultado obtido no teste.

Por que o intervalo entre A6 e A7 do RAVLT pode interferir no resultado?

E é justamente aí que muitos profissionais cometem um erro silencioso.

Na tentativa de otimizar a sessão, alguns avaliadores aproveitam esse intervalo para aplicar outro instrumento.

Até aí, tudo bem. O problema começa quando o instrumento escolhido ativa os mesmos processos cognitivos que o RAVLT está investigando.

O problema não é usar o intervalo. O problema é usar o intervalo com a tarefa errada.

O que evitar entre A6 e A7 do RAVLT

Por exemplo, aplicar nesse momento atividades que envolvam leitura, escrita, compreensão verbal, tarefas fortemente baseadas em memória verbal pode gerar interferência no desempenho do paciente nas etapas seguintes do teste.

Não porque o paciente tenha um prejuízo cognitivo. Mas porque o avaliador acabou introduzindo uma tarefa que interfere no processamento que ainda está sendo investigado.

Evite, nesse momento, tarefas que envolvam:

  • leitura
  • escrita
  • compreensão verbal
  • tarefas fortemente baseadas em memória verbal

Ou seja: uma queda de desempenho nas etapas seguintes pode refletir a interferência da tarefa aplicada, e não necessariamente um prejuízo cognitivo do paciente.

O que aplicar no intervalo entre A6 e A7 do RAVLT

Mas calma que vamos te ajudar com o que podemos aplicar nesse intervalo.

A regra geral é simples: evitar atividades com carga verbal ou que mobilizem fortemente a memória.

Por isso, podemos optar por tarefas não verbais, que envolvem outros sistemas cognitivos.

Exemplos de tarefas mais seguras nesse intervalo

Entre as possibilidades, podemos utilizar, por exemplo:

  • tarefas de planejamento e organização visuoespacial
  • instrumentos manipulativos ou construtivos
  • atividades predominantemente visuais
  • tarefas neutras que não envolvam linguagem estruturada

Instrumentos que podem se encaixar bem nesse momento

Alguns instrumentos conhecidos na prática clínica podem se encaixar bem nesse momento, como tarefas do tipo Torre de Londres, Torre de Hanoi ou Pirâmides Coloridas de Pfister, por exemplo.

Desde que a escolha esteja alinhada aos objetivos da bateria e ao perfil clínico do paciente.

E quando o paciente é criança?

Em algumas situações, especialmente com crianças, também é possível simplesmente fazer uma pausa breve ou propor uma atividade lúdica neutra, desde que ela não envolva estímulos verbais que possam gerar interferência.

Por que esse detalhe faz diferença na avaliação neuropsicológica?

Geralmente, quem está começando na avaliação neuropsicológica costuma focar muito em três coisas:

  • qual teste aplicar
  • como corrigir o instrumento
  • como interpretar os resultados

Mas a prática clínica mostra que uma boa avaliação também depende de decisões que parecem pequenas, como organizar as sessões de avaliação e, claro, o que fazer durante um intervalo entre as etapas de um instrumento.

Esses detalhes raramente aparecem com profundidade nos manuais, mas fazem parte do raciocínio clínico do avaliador.

E é justamente isso que diferencia quem apenas aplica testes de quem realmente conduz uma avaliação neuropsicológica com rigor técnico.

Conclusão: pequenos detalhes de aplicação também exigem raciocínio clínico

Situações como essa, que surgem no meio da aplicação dos instrumentos, fazem parte da rotina de quem trabalha com avaliação neuropsicológica.

E muitas delas não aparecem nos manuais, mas fazem toda a diferença na prática.

Se você quer ganhar mais segurança nessas decisões clínicas do dia a dia, aprofundar esse raciocínio faz toda a diferença.

É exatamente esse tipo de discussão que fazemos dentro do SerNeuroPsi, a nossa plataforma que ensina neuropsicologia de maneira prática e compreensível.

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