Como a nomeação automática ajuda a prever dificuldades na leitura

“Vermelho! Azul! Cadeira! Sol!”

Pode parecer uma brincadeira de criança, mas essa simples habilidade de olhar para um estímulo e dizer o nome dele de forma rápida e correta é uma das bases para que a leitura aconteça com fluência.

A isso damos o nome de nomeação automática rápida.

E sim, ela é chamada de “automática” porque envolve uma integração instantânea entre o que vemos e aquilo que já sabemos nomear.

É um processo aparentemente simples, mas que envolve uma engrenagem complexa de atenção, percepção, memória, linguagem e articulação motora.

Se uma dessas engrenagens falha, a leitura pode emperrar.

O que é nomeação automática rápida?

A nomeação automática é a nossa capacidade de olhar para um estímulo visual, como uma letra, um número, uma cor ou um objeto, e resgatar o nome dele de forma rápida e acurada, ou seja, correta.

Imagine uma criança olhando para a letra “A”.

Para nomear esse símbolo, ela precisa:

  • Focar a atenção;
  • Processar visualmente o formato da letra;
  • Buscar na memória fonológica o som correspondente;
  • Acessar o significado, caso seja um objeto;
  • Emitir o som de forma articulada.

Tudo isso acontece em frações de segundo.

Agora imagine se esse processo é lento, hesitante ou apresenta erros.

A leitura, que depende exatamente do mesmo caminho, também pode ser prejudicada.

Qual é a relação entre nomeação automática e leitura?

A nomeação automática é considerada um preditor importante da fluência de leitura.

Isso significa que crianças com baixa velocidade ou precisão na nomeação tendem a apresentar dificuldades no processo de leitura e escrita.

E isso é um sinal de alerta.

Um sinal precoce de que algo pode não estar indo bem no caminho da alfabetização.

O prejuízo na nomeação automática também pode ser um sinal precoce de um possível Transtorno Específico de Aprendizagem.

Por isso, se você trabalha com avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes e se depara com dificuldades de leitura em seu paciente, precisa avaliar a nomeação automática.

Quais testes avaliam a nomeação automática?

Para avaliar essa habilidade, você pode utilizar alguns instrumentos.

Entre eles estão:

TENA

O TENA avalia crianças entre 3 e 9 anos de idade.

NOMEA

O NOMEA avalia crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos de idade.

Ambos os testes têm o objetivo de avaliar a capacidade do indivíduo de reconhecer e nomear símbolos visuais com precisão e rapidez.

Conclusão

A nomeação automática rápida é uma habilidade importante para o desenvolvimento da fluência de leitura.

Quando esse processo acontece de forma lenta, hesitante ou com erros, pode indicar que algo não está indo bem no caminho da alfabetização.

Por isso, essa habilidade deve fazer parte da investigação de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de leitura.

Se você quer aprender a aplicar, corrigir e interpretar esses instrumentos, acesse as abas dos cursos no SerNeuroPsi e no Coruja Neuro.

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