Imagine que um paciente entre no consultório e, durante toda a sessão, fique esfregando repetidamente a bochecha. Você observa o comportamento, percebe que a pele está avermelhada, mas ele não diz absolutamente nada sobre aquilo.
Agora imagine outro paciente. Ele chega, senta-se à sua frente e diz:
— “Nossa, estou com uma cólica tão forte hoje que mal consigo me concentrar.”
Nos dois casos, existe algo acontecendo. E é justamente aí que encontramos uma diferença importante da psicopatologia que todo profissional da Psicologia deveria conhecer: a diferença entre sinais e sintomas.
É claro que essa distinção tem um caráter essencialmente didático. Na prática clínica, sinais e sintomas frequentemente aparecem juntos e são integrados ao raciocínio clínico. Ainda assim, compreender essa diferença ajuda a organizar a observação e a comunicação dos fenômenos psicopatológicos.
Qual é a diferença entre sinais e sintomas na psicopatologia?
No primeiro exemplo, o ato de esfregar repetidamente a bochecha é um sinal. Independentemente do que o paciente diga, você consegue observar que há um comportamento ocorrendo.
Já no segundo exemplo, a cólica é um sintoma. Você só tem acesso a essa informação porque o paciente a descreveu. Trata-se de uma experiência subjetiva, que não pode ser observada diretamente pelo examinador.
O que são sinais na psicopatologia?
Em psicopatologia, chamamos de sinais as manifestações objetivas e observáveis, identificadas pelo profissional durante a avaliação. Alterações na expressão facial, estereotipias, tremores, agitação psicomotora e mudanças na velocidade da fala são alguns exemplos.
O que são sintomas na psicopatologia?
Por outro lado, os sintomas correspondem às experiências subjetivas do indivíduo, acessíveis apenas por meio do seu relato. Dor, tristeza, sensação de vazio, ansiedade, medo e alucinações são exemplos de fenômenos que dependem da descrição do paciente para serem identificados.
Um fenômeno pode ser sinal e sintoma ao mesmo tempo?
Mas a psicopatologia gosta de nos lembrar que a clínica raramente é tão simples.
Pense na seguinte situação: durante a entrevista, o paciente começa a falar muito rápido, muda de assunto constantemente sem uma relação entre esses assuntos e você tem dificuldade para acompanhá-lo.
Isso é sinal ou sintoma?
A resposta é: depende do que você está analisando.
Quando a velocidade da fala é um sinal
Se o foco está na velocidade aumentada da fala, estamos diante de um sinal. Não importa o que está sendo dito, mas a forma como está sendo dito.
Quando o conteúdo da fala indica um sintoma
Agora, se você observa que o paciente passa de uma ideia para outra de maneira desorganizada, dificultando a compreensão do discurso, podemos estar falando de uma fuga de ideias. Nesse caso, o conteúdo da fala importa, e estamos diante de um sintoma.
Sinais e sintomas podem coexistir na avaliação clínica
Percebe como, em uma mesma situação, sinais e sintomas podem coexistir?
No fim das contas, essa divisão existe muito mais para fins didáticos do que para criar uma preocupação excessiva durante a prática clínica. O objetivo não é fazer do consultório um jogo de adivinhação entre “isso é sinal ou sintoma”, mas compreender que algumas informações vêm daquilo que observamos, enquanto outras só podem ser acessadas quando o paciente nos permite entrar em seu mundo interno.
Por que diferenciar sinais e sintomas é importante na psicopatologia?
E talvez esse seja um dos aspectos mais fascinantes da psicopatologia: aprender a escutar o que é dito, observar o que não é dito e integrar tudo isso em um único raciocínio clínico.
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